Reportagem: Braulio Coutinho
Edição de Texto: Ney Rubens
Foto: Arquivo pessoal
Matéria escrita para o Portal Terra no dia 10/07/2009 . Não chegou a ser publicada, o material iria ao ar se José Alencar falecesse.
Homem aguerrido, com jeito mineiro na fala e na forma de ser. Assim os amigos e familiares definem o empresário e político José Alencar Gomes da Silva.
O vice-presidente da República deu os primeiros passos no interior de Minas Gerais, mais precisamente em Itamuri, lugarejo que pertence à cidade de Muriaé, na zona da mata mineira.
O 11° filho dos 15 que tiveram o casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres começou a estudar na Escola São Paulo, em Muriaé. Foi lá que o empresário começou a ler e escrever. “Todo mundo comenta que ele era um aluno muito perspicaz, e que sempre demonstrou inteligência e sensibilidade para o comércio”, confirma a atual supervisora da escola, Márcia Murta.
"O professor de matemática Mário Macedo era o professor preferido do Alencar. Ele foi até homenageado muito tempo depois com um busto na porta da escola. Mas o objeto acabou sendo roubado," explica José Nicodemos, diretor da escola.
“Em uma conversa com o prefeito de Muriaé em seu gabinete em Brasília, ele (Alencar) perguntou se o busto do professor Mário já tinha voltado para o seu lugar. O prefeito falou ainda não. Então o senhor por favor providencie a colocação, que se o senhor não pagar o busto eu pago, disse ele. Imediatamente o prefeito demandou vários esforços e o busto foi recolocado”, conclui Nicodemos
O sobrinho de José Alencar, o vice-prefeito de Muriáé entre 2005 e 2008, Rodrigo Guarçoni, recorda que ainda criança, quando ainda morava na cidade natal, o tio viveu uma situação inusitada.
“Numa determinada época, ele menino, vinha a cavalo, era na estrada antiga de chão, do distrito Pirapanema, quando um raio atingiu e ele foi jogado do cavalo para fora, passando por uma cerca de arame farpado e atolado no barro do outro lado. E isso ele desacordou e só depois de algum tempo é que ele foi se dar daquilo que tinha acontecido. Até hoje ele tem uma marca no braço direito”, recorda.
Aos 14 anos, José Alencar conseguiu o primeiro emprego. Trabalhou como atendente na loja de tecidos “A Sedutora”, em Muriaé. Durante esse tempo teve que dormir no corredor do Hotel Estação, já que não tinha dinheiro para pagar o aluguel de um quarto.
“Ele não conseguiu na época pagar um quarto para ficar. Então por um determinado tempo ele morava no corredor desse hotel de habitação, em troca de alguns favores com a proprietária na época. E assim, logo quando ele foi adquirindo maior investimento em troca do trabalho, ele passou a viver em um quarto digno como uma pessoa normal, como os outros hóspedes do então hotel da Estação. Não deixou de ser um negócio que ele fez, talvez um dos seus primeiros negócios”, afirma.
O sobrinho entrega que Alencar era torcedor do Nacional Atlético de Muriaé, e sempre gostou de futebol. Quando garoto, jogava no meio-campo do time de futebol da cidade. “Ele até que tentava, mas não tinha menor vocação para ser jogador”, brinca.
Mesmo entre viagens, compromissos oficiais e solenidades, atividades rotineiras da vida pública, o vice-presidente sempre conseguia arrumar um tempinho para visitar as suas raízes. Entre tantas histórias, o primo José Geraldo Gomes, 84 anos, conhecido como Zezinho, relembra que Alencar chegava a dispensar banquetes com autoridades e políticos para comer o frango com quiabo e a carne de porco na lata servida em seu restaurante, que fica às margens da BR-116, em Muriaé.
“Teve uma vez que um deputado fez aquele banquetão enorme, chamou ele pra inaugurar um hospital e a fundação. Ele foi, a quando acabou tudo, ele tava naquele mesão lá. Tinha deputado, tinha governador. Ele pegou, acabou de conversar com eles e falou: Bom apetite pra vocês, meu almoço é lá na (rodovia) Rio-Bahia com meu primo. Largou um banquetão rapaz, que coisa”, relembra, emocionado, o episódio.
Mesmo tão ligado às suas raízes, José Alencar sempre procurou novos rumos, principalmente no ramo dos negócios. Aos 18 anos montou na cidade de Caratinga a sua primeira loja que tinha o nome “A Queimadeira”. Em pouco tempo montou uma fábrica de roupas na cidade, até que anos depois fundou a Coteminas, indústria do ramo de tecidos, que produz e distribui tecidos para todo o Brasil e diversos países do exterior. A primeira fábrica foi inaugurada em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Atualmente a empresa conta com 11 unidades espalhadas pelo Brasil.
O sucesso no ramo empresarial tornou José Alencar uma pessoa respeitada no meio. Foi presidente de diversas associações e federações comerciais e industriais. Conseguiu se eleger como Senador e em 2003 alcançou o cargo de vice-presidência da República, no governo Lula. Em 2007 foi reeleito.
Mesmo lutando contra o câncer desde 1997, José Alencar sempre deixou claro, em entrevistas, que não gostava de ficar parado, e que a força de vontade era o principal motivo que fazia com que ele superasse a luta contra a doença.
“Quando você trabalha com dedicação, você não pode entregar o corpo, porque você tem que espantar o mal”, disse em uma entrevista pouco antes de se internar no Hospital Sírio Libanês, em 2008, época que fez a penúltima cirurgia para a retirada de tumores no abdomen.
Gosto pela vida e pelo trabalho confirmado pela família. “Nosso tio sempre foi um homem obcecado por compromissos. Ele sempre quis fazer alguma coisa para alguém. Seja na empresa dele gerando emprego e renda para os municípios, seja na vida política ajudando as pessoas e o País," diz o sobrinho Rodrigo Guarçoni.
Foto: Arquivo pessoal
Matéria escrita para o Portal Terra no dia 10/07/2009 . Não chegou a ser publicada, o material iria ao ar se José Alencar falecesse.
O vice-presidente da República deu os primeiros passos no interior de Minas Gerais, mais precisamente em Itamuri, lugarejo que pertence à cidade de Muriaé, na zona da mata mineira.
O 11° filho dos 15 que tiveram o casal Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres começou a estudar na Escola São Paulo, em Muriaé. Foi lá que o empresário começou a ler e escrever. “Todo mundo comenta que ele era um aluno muito perspicaz, e que sempre demonstrou inteligência e sensibilidade para o comércio”, confirma a atual supervisora da escola, Márcia Murta.
"O professor de matemática Mário Macedo era o professor preferido do Alencar. Ele foi até homenageado muito tempo depois com um busto na porta da escola. Mas o objeto acabou sendo roubado," explica José Nicodemos, diretor da escola.
“Em uma conversa com o prefeito de Muriaé em seu gabinete em Brasília, ele (Alencar) perguntou se o busto do professor Mário já tinha voltado para o seu lugar. O prefeito falou ainda não. Então o senhor por favor providencie a colocação, que se o senhor não pagar o busto eu pago, disse ele. Imediatamente o prefeito demandou vários esforços e o busto foi recolocado”, conclui Nicodemos
O sobrinho de José Alencar, o vice-prefeito de Muriáé entre 2005 e 2008, Rodrigo Guarçoni, recorda que ainda criança, quando ainda morava na cidade natal, o tio viveu uma situação inusitada.
“Numa determinada época, ele menino, vinha a cavalo, era na estrada antiga de chão, do distrito Pirapanema, quando um raio atingiu e ele foi jogado do cavalo para fora, passando por uma cerca de arame farpado e atolado no barro do outro lado. E isso ele desacordou e só depois de algum tempo é que ele foi se dar daquilo que tinha acontecido. Até hoje ele tem uma marca no braço direito”, recorda.
Aos 14 anos, José Alencar conseguiu o primeiro emprego. Trabalhou como atendente na loja de tecidos “A Sedutora”, em Muriaé. Durante esse tempo teve que dormir no corredor do Hotel Estação, já que não tinha dinheiro para pagar o aluguel de um quarto.
“Ele não conseguiu na época pagar um quarto para ficar. Então por um determinado tempo ele morava no corredor desse hotel de habitação, em troca de alguns favores com a proprietária na época. E assim, logo quando ele foi adquirindo maior investimento em troca do trabalho, ele passou a viver em um quarto digno como uma pessoa normal, como os outros hóspedes do então hotel da Estação. Não deixou de ser um negócio que ele fez, talvez um dos seus primeiros negócios”, afirma.
O sobrinho entrega que Alencar era torcedor do Nacional Atlético de Muriaé, e sempre gostou de futebol. Quando garoto, jogava no meio-campo do time de futebol da cidade. “Ele até que tentava, mas não tinha menor vocação para ser jogador”, brinca.
Mesmo entre viagens, compromissos oficiais e solenidades, atividades rotineiras da vida pública, o vice-presidente sempre conseguia arrumar um tempinho para visitar as suas raízes. Entre tantas histórias, o primo José Geraldo Gomes, 84 anos, conhecido como Zezinho, relembra que Alencar chegava a dispensar banquetes com autoridades e políticos para comer o frango com quiabo e a carne de porco na lata servida em seu restaurante, que fica às margens da BR-116, em Muriaé.
“Teve uma vez que um deputado fez aquele banquetão enorme, chamou ele pra inaugurar um hospital e a fundação. Ele foi, a quando acabou tudo, ele tava naquele mesão lá. Tinha deputado, tinha governador. Ele pegou, acabou de conversar com eles e falou: Bom apetite pra vocês, meu almoço é lá na (rodovia) Rio-Bahia com meu primo. Largou um banquetão rapaz, que coisa”, relembra, emocionado, o episódio.
Mesmo tão ligado às suas raízes, José Alencar sempre procurou novos rumos, principalmente no ramo dos negócios. Aos 18 anos montou na cidade de Caratinga a sua primeira loja que tinha o nome “A Queimadeira”. Em pouco tempo montou uma fábrica de roupas na cidade, até que anos depois fundou a Coteminas, indústria do ramo de tecidos, que produz e distribui tecidos para todo o Brasil e diversos países do exterior. A primeira fábrica foi inaugurada em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Atualmente a empresa conta com 11 unidades espalhadas pelo Brasil.
O sucesso no ramo empresarial tornou José Alencar uma pessoa respeitada no meio. Foi presidente de diversas associações e federações comerciais e industriais. Conseguiu se eleger como Senador e em 2003 alcançou o cargo de vice-presidência da República, no governo Lula. Em 2007 foi reeleito.
Mesmo lutando contra o câncer desde 1997, José Alencar sempre deixou claro, em entrevistas, que não gostava de ficar parado, e que a força de vontade era o principal motivo que fazia com que ele superasse a luta contra a doença.
“Quando você trabalha com dedicação, você não pode entregar o corpo, porque você tem que espantar o mal”, disse em uma entrevista pouco antes de se internar no Hospital Sírio Libanês, em 2008, época que fez a penúltima cirurgia para a retirada de tumores no abdomen.
Gosto pela vida e pelo trabalho confirmado pela família. “Nosso tio sempre foi um homem obcecado por compromissos. Ele sempre quis fazer alguma coisa para alguém. Seja na empresa dele gerando emprego e renda para os municípios, seja na vida política ajudando as pessoas e o País," diz o sobrinho Rodrigo Guarçoni.