Reportagem: Braulio Coutinho
Edição de Texto: Ney Rubens
Foto: Neilson Dias

Matéria publicada no Portal Terra no dia 19/06/2009


No último dia 2 de junho, a dona de casa Maria Soares Carvalho, 81 anos, moradora do bairro Indústrias, em Belo Horizonte, estava em casa quando um homem bateu à sua porta para entregá-la uma caixa. O entregador informou que dentro do pequeno baú estavam as cinzas do marido dela, Henrique Bento Alves, que morreu há 28 anos e havia sido enterrado no Cemitério Parque da Colina, na região oeste da capital mineira.

O genro de dona Maria, o empresário José Vicente Cordeiro, contou que ela ficou muito assustada "porque não esperava pela encomenda", mas resolveu guardar a caixa até que um dos filhos a ajudasse a jogar as cinzas do marido num rio.

"Passaram alguns dias e ela resolveu abrir. Foi quando tomou um tremendo susto, porque na verdade não eram as cinzas. Dentro da caixa estavam os restos mortais, todos os ossos, do senhor Henrique, meu sogro", explicou.


A cova onde o marido de dona Maria ficou enterrado por quase três décadas pertencia a uma família que emprestou o espaço para o enterro dele na época.

No último mês de maio, o proprietário do jazigo o vendeu e, para entregar o local vazio, retirou a ossada de Alves e a entregou à viúva.

Inconformada com a história, a filha de dona Maria, a instrutora de trânsito Sônia Fátima Carvalho, registrou um boletim de ocorrência na polícia.

"A gente tomou um choque, impacto. A gente não espera ver cabeça, fêmur, dentro da caixinha. A primeira atitude que eu fiz foi fazer um BO porque, se a polícia pegasse a gente com a caixa nas costas, até a gente explicar de onde são esses ossos, de quem são, aí complicava a família também".

Sônia contou que a mãe ficou com a saúde debilitada depois do episódio: "Ela está fazendo uso de medicamentos, porque depois de 28 anos que enterrou o marido, os ossos deles vieram bater na porta. A caixa foi entregue como se entrega pra você uma pizza. Então a gente não deve fazer isso com ninguém", disse.

O assessor jurídico do Cemitério Parque da Colina, Alceu Fonseca, informou que a exumação e o translado dos restos mortais foram autorizados pelo titular da cova.

A advogada da família, Shirley Teodoro, disse que os familiares pretendem entrar na Justiça com uma ação por danos morais. "O episódio pode ser encarado como crime previsto no Código Penal nos artigos 210 e 212, por profanação de sepultura e por desrespeito ao cadáver", afirmou.

Depois de toda a confusão, 15 dias após chegarem à casa, os restos mortais de Henrique Bento Alves foram novamente enterrados. O genro, José Vicente, conseguiu que a caixa fosse enterrada em uma sepultura do cemitério de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Reportagem: Braulio Coutinho
Narração: Ney Rubens
Edição de Imagens/Texto: Braulio Coutinho
Imagens: Neilson Dias

Matéria exibida no Terra TV no dia 19/06/2009

Reportagem: Braulio Coutinho
Edição de Texto: Ney Rubens

Matéria publicada no Portal Terra no dia 13/06/2009

A dívida do aluguel de um imóvel teria sido o motivo do assassinato de um homem e duas crianças na noite desta sexta-feira, na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. De acordo com a Polícia Militar (PM), inconformado com o atraso das parcelas por parte dos inquilinos, o locador Otacílio Franco Diogo, 54 anos, que morava na parte de baixo da residência, invadiu o sobrado que alugava armado e com um galão de gasolina.


Quando chegou ao local, o homem derramou o combustível pela casa e ameaçou atear fogo. O inquilino Sizenando dos Reis e Silva teria tentado impedir e foi executado a tiros. Duas crianças, Saulo Henrique de Freitas Silva, 10 anos, e João Victor da Costa Araújo, 8 anos, também foram mortos.

A esposa de Sizenando, Josyane da Costas Silva, 34 anos, grávida, e três meninas quem estavam no sobrado teriam se escondido em um cômodo do imóvel.

Quando a PM chegou ao prédio, os policiais fizeram contato com o locador, que ainda estava no local. "Ele atendeu ao telefone e disse que já havia matado três e que se a polícia entrasse na casa ele iria atirar", afirmou o soldado Ernane Geraldo de Oliveira, do batalhão de Uberlândia.

Com a chegada dos Bombeiros, as vítimas que estavam presas no quarto foram resgatadas com uma escada colocada na janela. Em estado de choque, foram encaminhadas para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.

Em seguida, a Polícia invadiu a residência com duas equipes, uma no segundo andar da casa, para localizar outras vítimas e outra no primeiro andar para prender o suspeito.

"A polícia tentou negociar, mas ele não respondia, tentamos usar armas não letais para que ele se entregasse, até que ele efetuou disparos contra a viatura e foi preciso revidar. Diogo foi atingido e morreu no local", concluiu Oliveira.

Segundo informações da Polícia Militar, o locador já havia sido preso no dia 11 deste mês por ameaçar a família do inquilino, mas acabou liberado pela Polícia Civil. O valor da dívida não foi apurado pela PM.